O setor de energia elétrica no Brasil vive um momento de grandes expectativas e controvérsias. A Medida Provisória (MP) 1.300/2025, que tramita no Congresso Nacional, promete uma reformulação profunda das tarifas, gerando debates acalorados sobre seus impactos. Paralelamente, dados recentes reforçam o crescimento sustentável de fontes como a solar e a eólica, que já respondem por mais de um terço da geração do país.
Reforma tarifária em xeque com a MP 1.300
A MP 1.300/2025 é o ponto central das discussões. A proposta busca dar maior autonomia à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para reestruturar as tarifas. No entanto, a medida tem gerado insegurança jurídica, especialmente por prever a separação do custo da energia do custo da transmissão (o “fio”). Isso pode penalizar os consumidores com geração própria, como os de energia solar, que teriam que pagar pelo uso da rede mesmo quando produzem sua própria energia

Foto: Reprodução / Senado
A pressão do setor solar por uma negociação é intensa, e o prazo para a aprovação da MP se esgota. A decisão final, a ser tomada nos plenários da Câmara e do Senado, definirá o futuro da política tarifária e o modelo de negócio para a geração distribuída.
Energia renovável avança, mas enfrenta desafios
Em meio à incerteza regulatória, o Brasil celebra avanços significativos na transição energética. Um estudo recente da Ember Energy revelou que, em agosto de 2025, a geração de energia solar e eólica atingiu um recorde, ultrapassando um terço da matriz elétrica nacional. Segundo Raul Miranda, diretor do programa global da Ember, a diversificação energética tem tornado o país mais resiliente.
Contudo, nem tudo são flores. O mesmo estudo aponta uma queda na capacidade solar instalada no primeiro semestre de 2025, devido a gargalos na conexão à rede e incertezas regulatórias. Este cenário ressalta a necessidade de políticas públicas claras que incentivem a expansão das renováveis.
Mercado e investimentos em alta
Apesar dos desafios, o setor elétrico atrai a atenção de investidores. O Itaú BBA elevou o preço-alvo das ações da Eletrobras (ELET3) para 2026, citando fundamentos sólidos e um cenário favorável para os preços da energia. A análise aponta a empresa como uma potencial pagadora de altos dividendos, o que pode atrair novos investidores.
No campo da mobilidade elétrica, a Weg anunciou a construção de um centro dedicado ao tema em São Paulo, indicando a consolidação do mercado de veículos elétricos. Já a EDP viu seu parque eólico Monte Verde, no Rio Grande do Norte, receber certificação para a emissão de créditos de carbono, reforçando a tendência de sustentabilidade.
O futuro do setor em debate

O setor de energia elétrica brasileiro vive uma encruzilhada. De um lado, a urgência em definir as regras tarifárias e regulatórias com a MP 1.300. Do outro, a consolidação das energias renováveis e a atratividade do mercado para investimentos. O resultado desses debates moldará o futuro energético do país, impactando desde grandes empresas até o consumidor final
Fonte: Baseado em notícias veiculadas pela Agência Senado, Ember Energy, Itaú BBA, Weg, EDP e outras fontes especializadas em energia.